segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MATÉRIAS PUBLICADAS NO JORNAL FOLHA DA PRINCESA


CTG Porteira da Princesa realiza primeira escolha de prendas e peões
Entidade que já existe há cinco anos realizou o concurso pela primeira vez
O dia 25 de julho de 2009 ficou marcado na história do CTG Porteira da Princesa. Foi na tarde fria de sábado que a entidade tradicionalista conheceu as primeiras prendas e peões que irão representá-la durante um ano nos pagos por onde passarem. Integrantes da Invernada artística do CTG participaram do concurso divididos entre as categorias mirim, juvenil e adulto. No dia 5 de setembro serão entregues as faixas aos vencedores, durante o jantar que arrecadará fundos para a viagem da invernada a Piratini, durante a Semana Farroupilha.
O CTG Porteira da Princesa ainda não possui sede própria e faz uso do Salão 11 de Dezembro para a realização dos ensaios da invernada e eventos beneficentes. Mas a falta de sede não é suficiente para que os 28 integrantes do grupo de dança se sintam desmotivados. Durante os cinco anos de formação, a Invernada já realizou apresentações na Fenadoce, além de outros CTGs de Pelotas, Turuçu e Piratini.  De acordo com a Patrão do CTG, Maria Moura, quando as apresentações são realizadas em outras cidades, é necessária a realização de eventos com o objetivo de arrecadar fundos para custear a viagem dos integrantes da invernada.
O concurso que elegeu as prendas e peões do CTG Porteira da Princesa foi divido em três etapas, onde foram avaliados conhecimentos gerais, tradicionalistas e sobre o CTG. Depois de serem submetidos a uma entrevista, os participantes realizaram provas de declamação, dança de salão e danças tradicionais. Todas as categorias passaram pelas mesmas etapas, com exceção do peão adulto, que deve realizar ainda uma prova campeira. De acordo com Paulo Souza, conselheiro da 26ª Região Tradicionalista e integrante da Comissão Avaliadora, a partir do segundo ano todos os peões deverão passar pela prova campeira.
Os candidatos foram avaliados por uma comissão vinda do CTG Raízes, do Fragata. A realização das provas foi baseada nas normas do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), embora o CTG Porteira da Princesa ainda não seja filiado ao Movimento. “Como é o primeiro ano não exigimos vivência tradicionalista nem a prova de artesanato”, enfatiza Paulo Souza ao falar da etapa onde são apresentadas mostras de artesanatos e álbuns com registros das atividades tradicionalistas realizadas pelos candidatos.
Conheça as primeiras prendas e peões do CTG Porteira da Princesa
CATEGORIA MIRIM
PRENDA – Vitória Gabriele
PEÃO – Iuri de almeida
CATEGORIA JUVENIL
1ª PRENDA – Paloma Rodrigues
2ª PRENDA – Natália dos Santos
3ª PRENDA -  Gabriele de Moura Abreu
PEÃO – Felipe Farias
CATEGORIA ADULTO
PRENDA – Andressa Aires
PRENDA SIMPATIA – Júlia Alves Silveira
Moradores sofrem com falta de manutenção de rua
Reivindicação por melhorias na Rua 11 foi entregue em abril e os moradores ainda não viram solução efetiva
Mais um inverno está para começar e os moradores da Rua Jorge Hallal (Rua Onze) continuam sofrendo com um problema antigo: as péssimas condições da rua que mal foi aberta e não recebeu cobertura adequada.  Não fossem as casas dispostas como nas outras ruas, esta não seria percebida como tal, devido à quantidade de pasto e barro que encobrem a via esquecida pelo poder público. Como uma bola de pingue-pongue, a reivindicação feita pelos moradores vai passando pelas secretarias, mas nenhuma ação satisfatória foi realizada.
 “Aqui nós somos completamente esquecidos”, afirma a moradora Irema da Costa. Para o marido dela, o aposentado Ubirajara Costa, que tem dificuldades para caminhar, tudo se torna mais difícil quando precisam andar cerca de três quadras para pegar o transporte coletivo. “Faz seis anos que moro aqui e não se tem uma rua digna, não temos nem parada de ônibus”, diz.
A Associação de Moradores da Vila Princesa (AMOVIP) entregou à Unidade Gestora de Projetos, no início de abril, um abaixo-assinado solicitando limpeza e colocação de cascalho na rua, mas até agora as máquinas da prefeitura só estiveram duas vezes na vila, e não terminaram o serviço. De acordo com o presidente da AMOVIP, Carlos Felz, os funcionários da prefeitura trabalharam em duas sextas-feiras, o que impede a continuidade do trabalho. “Tem que fazer o serviço enquanto o tempo está seco”, afirma o presidente.
O secretário de Obras da Prefeitura, João Tavares, afirma que não atua em ruas não pavimentadas, e que o abaixo-assinado entregue no dia 20 de maio na Secretaria de Obras será encaminhado por ele à secretaria de Serviços Urbanos “Quando for concluir as obras de drenagem, começo a trabalhar na Rua Onze”, é o que promete o secretário de serviços urbanos, Marco Antônio Bretas. De acordo com Bretas, a secretaria de Serviços Urbanos deverá voltar à Vila nos primeiros dias de junho para conclusão das obras de drenagem que estão sendo realizadas no local.
Ainda sob nuvens de pó
Com relação à poeira, outro problema enfrentado principalmente pelos moradores da Avenida Quatro e Rua Treze, o coordenador da Unidade Gestora de Projetos, Jair Seibel, afirma que foram entregues vários abaixo-assinados de outros bairros solicitando pavimentação nas vias por onde passa o transporte coletivo. De acordo com Seibel, a secretaria está buscando recursos para atender a demanda. O coordenador informou ainda que dentro de aproximadamente dois meses os moradores terão oportunidade de realizar reivindicações durante as reuniões que acontecerão em todos os bairros, para elaboração do Plano Plurianual da Prefeitura, onde serão discutidas as demandas e as necessidades dos bairros.
Sob nuvens de pó
Incomodados com a poeira, moradores da Vila Princesa querem fechar a Avenida principal se o problema não for solucionado
Depois de reivindicar soluções para problemas como a manutenção da praça e os buracos na Avenida Quatro, os moradores da Vila Princesa continuam lutando por melhorias. A poeira é uma preocupação constante para comerciantes, motoristas e pedestres que mal conseguem atravessar a rua em meio a nuvens de pó causadas pelo trânsito constante na avenida principal. A Associação dos Moradores da Vila Princesa (AMOVIP) vem recolhendo assinaturas dos moradores solicitando o asfaltamento das ruas por onde passa o transporte coletivo.
Os comerciantes e moradores da Avenida Quatro e Rua Treze são os que mais sofrem com a poeira causada pelo trânsito constante de veículos pesados. Ao longo da Avenida estão localizados o Posto de saúde, a Escola Antônio Rona e a maior parte dos estabelecimentos comerciais da Vila. Alguns comerciantes são obrigados a manter as portas de seus estabelecimentos fechadas para evitar que seus produtos estraguem com a exposição ao pó. “Parece que o produto está velho, não tem como limpar, quando o cliente compra a gente limpa”, salienta o comerciante Santo Reichow.
O presidente da AMOVIP, Luiz Carlos Felz, pretende entregar o baixo-assinado à Unidade Gestora de Projetos ainda no mês de abril. Os moradores pretendem fechar por algumas horas a entrada da Avenida Quatro, impedindo assim a passagem de veículos, caso o problema não seja solucionado logo após a entrega das assinaturas.
Para os moradores da Vila Princesa o asfaltamento seria a melhor solução para o problema da poeira, desde que sejam instalados quebra-molas principalmente nas áreas próximas à Praça e à Escola Antônio Rona. De acordo com os moradores, muitos acidentes vêm acontecendo nestes locais devido ao excesso de velocidade dos motoristas, situação que poderá se agravar se não houver a sinalização adequada.

TEXTOS PUBLICADOS NO CADERNO DA 36ª FEIRA DO LIVRO DE PELOTAS - JORNAL DIÁRIO POPULAR

Satolep em Pelotas
“O homem faz a cidade, a cidade faz o homem”. A frase do escritor João Simões Lopes Neto parece tomar forma quando Satolep retorna ao seu povo para ser constantemente recriado através de suas ilustrações e de seu texto que, para cada pelotense, traz um significado diferente. E mais uma vez o autor de A Estética do Frio esteve mais perto de seus conterrâneos para autografar a sua cidade que abriu ao público que quisesse conhecê-la, ou reconhecê-la ao longo de suas narrativas e diálogos com personagens que já fazem parte da cultura deste povo.
A curiosidade em conhecer o que o músico tem a dizer através da literatura fez com que jovens e idosos passassem pela Feira do Livro na última sexta-feira, para garantir seu exemplar de Satolep.  “Comprei o livro porque sou fã dele como músico, então surgiu a curiosidade”, confessa Carla, estudante de geografia que veio acompanhada da colega Eliete, de Pedro Osório. “O livro é legal porque fala da cidade, é uma pessoa daqui falando sobre a cidade”, complementa Eliete ao falar sobre a importância do livro para o povo pelotense. Para o autor, o que traz um público tão expressivo à sessão de autógrafos de Satolep, não é apenas o fato de ter sido escrito por um músico reconhecido, mas um pouco de tudo. “Esse livro para quem é de Pelotas é muito especial, o livro é da cidade, foi escrito aqui”, diz o autor, depois de já ter apresentado a obra aos pelotenses há cinco meses.
Durante um final de tarde quente e ensolarado, um pouco diferente do cenário frio e envolvido pelo minuano, que permeia a vida dos gaúchos, eles chegavam ansiosos para recolher naquelas primeiras páginas em branco (ou em preto), um pouco de seu autor pelas mesmas mãos que reescreveram Pelotas. A porto alegrense Maria Teresa, que mora em Pelotas há 17 anos, conta que conheceu o livro através de um amigo e achou muito interessante o contraste das imagens em negativo com o texto se reportando a elas.
Embora tenha vivido no Rio de Janeiro, e percorrido muitos cantos deste país tropical, Vitor Ramil sempre retorna às suas raízes, ao seu povo, à sua fria e úmida Pelotas. E é este aspecto, além de seu talento também reconhecido em vários cantos do país, que faz com que muitos fãs tornem-se ainda mais admiradores de seu trabalho e do Vitor, o bom filho que à casa sempre torna. A estudante de turismo Marcela conta que a música dele serve como terapia. “Acompanho o trabalho dele e acho que ele fala com a alma, fala sobre a alma de Pelotas. É um artista que apesar de seu potencial e reconhecimento fora daqui continua morando na cidade onde sua alma vive”, declara a admiradora ao falar sobre o trabalho do artista que resgata artistas de Pelotas e mostra a riqueza da cidade e da sua cultura.
A obra e o autor
A história de Satolep se confunde em alguns pontos com a própria história de seu autor. No começo da narrativa, Selbor, o fotógrafo narrador, encontra-se numa cidade do norte do país e retorna à sua terra natal no dia de seu aniversário de trinta anos. Ao chegar em Satolep (anagrama da palavra Pelotas), Selbor encontra-se com personagens reais da história de Pelotas.
A história cujo enfoque está no encontro do protagonista com seu passado, é para o personagem uma fase de auto-conhecimento. O período em que viveu fora do Rio Grande do Sul ficou marcado para Vitor como um período de reflexão sobre sua identidade. A Estética do Frio surgiu durante esta busca e fez com que o autor refletisse sobre o papel do Rio Grande do Sul e do gaúcho no cenário brasileiro. Após viver durante cinco anos no Rio de Janeiro, Vitor voltou ao sul na época em que comemorava seu aniversário de trinta anos. “Trinta anos é uma idade emblemática”, salienta o autor ao admitir que aprendeu muito sobre si voltando a Pelotas.
Festa da literatura faz a alegria da criançada
Os pequenos e entusiasmados leitores são presença marcante na Feira do Livro e mostram que o gosto pela literatura não é só coisa de adulto.
Despertar o interesse das crianças pela leitura é fundamental. Pensando nisso, várias escolas vêm desenvolvendo projetos no sentido de estimular o hábito da leitura em alunos em fase de alfabetização e até mesmo nos que ainda não dominam a escrita. A Feira do Livro é mais uma ótima oportunidade para que os pequenos vivenciem este contato com os mais variados e coloridos exemplares. Com os pais ou em pequenos grupos de colegas e professores, eles representam presença marcante na festa da literatura, que apresenta opções para todos os gostos e idades.
A comerciante Giselda, que participa da feira há oito anos, conta que nos dois primeiros dias de feira mais de dez escolas já visitaram sua banca. “As crianças mostram um interesse enorme pelos livros”, conta a comerciante diante das solicitações inquietas dos pequenos visitantes que, encantados, mal podiam segurar os livros que tinham nas mãos.
Entusiasmada após a compra de quatro livrinhos, Elisa Ávila, de sete anos, conta que vai ler seus livros novos para a mãe quando chegar em casa. “A maioria dos pais colabora e motiva as crianças, a família trabalha junto com a escola”, enfatiza a professora Jaqueline. Já Samuel, também com sete anos, levou as Fábulas de Esopo, que vai ler antes de dormir, como costuma fazer todas as noites.
Para além da diversão
A prática da leitura desencadeia uma série de benefícios ao longo da aprendizagem. Fazer desta prática uma atividade prazerosa faz com que a criança tenha mais facilidade em desempenhar tarefas que exijam interpretação e expressão de idéias e opiniões. Na Escola Municipal de Arte e Infância Ruth BlanK, os alunos, com idades entre quatro e cinco anos, fazem contato com os livros desde o ingresso na Escola. A diretora do educandário, professora Márcia, explica que embora não seja realizado um trabalho de pré-alfabetização, este contato com os livros é muito importante para o desenvolvimento da oralidade através de ilustrações.
Na Escola as crianças dispõem ainda de uma biblioteca onde, todas as sextas-feiras, escolhem o livro que irão levar para casa durante o final de semana. “Escolhemos o final de semana para estimular a participação dos pais, que se envolvem no processo de contar as histórias”, enfatiza a diretora. Ao retornarem, os alunos contam ou dramatizam as histórias que leram em casa.
Não foi fácil para a professora Jaqueline organizar a fila do grupo de alunos da Escola Estadual Ondina Cunha para retornarem à escola. A professora conta que a turma, contemplada com o projeto Circuito Campeão, desenvolvido pela 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) em parceria com o Instituto Ayrton Senna, é desafiada a ler, durante o ano letivo, cerca de trinta livrinhos. Mas isso não parece tarefa nada complicada para os leitores afiados. Difícil mesmo foi escolher qual título levar para casa.    Encantados com os exemplares que trazem CDs e adesivos além das ilustrações, eles pensaram, repensaram, e teve gente que não desgrudou da banca até mesmo quando a professora os dispunha na fila para a saída.
Após a leitura, as crianças fazem relato para a turma e marcam com a cor verde ou vermelha, em um cartaz na sala de aula, se gostaram ou não dos títulos que leram. Ao falar sobre a importância da leitura para a aprendizagem das crianças, a professora enfatiza o resgate do interesse pela escrita através da litertura.
Os verdadeiros tesouros da vida
Escritora pelotense dá lições de educação e valorização de virtudes em texto que encanta crianças e adultos
“Pessoas não se compram, não se valorizam pelos bens que possuem”. Eis a máxima que Carla só aprendeu quando, com a ajuda de sua professora, percebeu que as virtudes das pessoas com quem convivia eram mais importantes que os bens materiais de que dispunha. A personagem central desta história é uma menina rica, filha de um jovem e belo casal, que cresceu sob os mimos dos avós, sempre preocupados em satisfazer suas vontades.
Baseado nos ensinamentos logosóficos e escrito pela pelotense Luciara Pereira, o conto infantil sobre a menina que não media esforços para conseguir o que queria, utilizando artifícios como a mentira, é um alerta e um convite para que crianças e adultos reflitam sobre as verdadeiras virtudes do ser humano. O verdadeiro tesouro de Carla é um livro que faz pensar sobre a literatura infantil como uma forma de orientar os pais, muitas vezes impelidos a transferir aos professores a responsabilidade da educação dos filhos. “É uma realidade lamentável o professor ter o papel de educador, independente da classe social”, destaca a autora, ao falar sobre a importância do papel dos pais na transmissão de valores aos pequenos, mesmo nas famílias onde o poder aquisitivo é maior.
Ao longo de sua carreira como promotora da infância e da juventude, a autora percebeu que o envolvimento dos jovens com a criminalidade está ligado à supervalorização dos bens materiais. “É muito pouco o que se pode fazer quando a criança já está desvirtuada, tem que começar na primeira infância, para tentar mudar esta realidade”, explica.
Luciara escreveu seu primeiro livro dedicado ao público infantil em 2000. Uma nova concepção dos Direitos da Criança foi publicado em comemoração aos dez anos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Mãe de dois filhos pré-adolescentes, com 12 e 10 anos, Luciara conta que a idéia de escrever o segundo livro partiu da vontade de compartilhar com outras pessoas os elementos da Ciência Logosófica, utilizados na educação de seus filhos. De acordo com a promotora, que pretende continuar escrevendo para o público infantil, a logosofia dá elementos para educar de forma diferente.
Os estudos logosóficos
A logosofia, iniciada na Argentina em 1930 por Carlos Bernardo Gonzáles Pecotche (1901-1963), é uma ciência que se propõe a estudar o homem por ele próprio. Diferente da psicologia, que analisa o ser humano a partir do seu comportamento, a logosofia se propõe a partir do conhecimento de seu interior, de seus desejos e necessidades.
A Ciência Logosófica parte do autoconhecimento para a superação de preconceitos e deficiências psicológicas, tais como a vaidade, a soberba, o egoísmo e a indiferença. Estas deficiências, entre outras, desencadeiam uma série de comportamentos e devem ser superadas com satisfação. De acordo com os ensinamentos logosóficos as mentes devem estar abertas parta que as verdades desta sabedoria possam ser descobertas ao entendimento humano: ”As mãos não podem tomar em suas palmas um tesouro, se permanecerem fechadas, guardando prendas altamente valorizadas pela própria estima” (Carlos Eduardo Gonzáles Petotche)

1º LUGAR 17º CAÇA TALENTOS - CATEGORIA JORNALISMO - SUBCATEGORIA JORNAL IMPRESSO

VEÍCULO INSTITUCIONAL - INSTITUTO SÃO BENEDITO

1º LUGAR 17º CAÇA TALENTOS - CATEGORIA JORNALISMO - SUBCATEGORIA PROJETO DE ASSESSORIA DE IMPRENSA


PROJETO DE ASSESSORIA DE IMPRENSA INSTITUTO SÃO BENEDITO - PELOTAS
1-      APRESENTAÇÃO
A ação comunicativa faz parte do nosso cotidiano, é um fenômeno social, origina-se da idéia de “romper o isolamento”, o termo em si refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto. Este termo também é definido como “comunicação de espaços, circulação, transporte de coisas: vias de comunicação, estradas”.
Com base nesses conceitos, ressalta-se a importância e a necessidade do desenvolvimento de um plano de ação que vise a organização da comunicação institucional. A elaboração desse plano possibilita a criação das vias de comunicação facilitando e garantindo a qualidade do fluxo de informações que circula interna e externamente. Essa organização favorece o relacionamento intrainstitucional e a relação da Instituição com os meios de comunicação de que fará uso para que possa divulgar suas ações.
O presente Projeto de Assessoria de Imprensa será realizado no Instituto São Benedito, uma organização não governamental que atende meninas das periferias da cidade de Pelotas. Este projeto visa divulgar a ação comunitária realizada pela Instituição.
O Instituto São Benedito teve sua fundação em 06 de fevereiro de 1901, sendo oficialmente inaugurado no dia 13 de maio do mesmo ano. Desde então a instituição é administrada por diretorias constituídas por membros voluntários. Em 1912 a direção interna e os encargos dos serviços assistenciais da Obra foram entregues à Congregação das Irmãs do Puríssimo, hoje Irmãs do Imaculado Coração de Maria
Em 1916, através de uma campanha entre líderes pelotenses, foi adquirido o prédio onde atualmente o Instituto São Benedito atende cerca de 100 meninas oriundas de famílias de baixa renda da periferia da cidade de Pelotas.
Após ter funcionado como Escola Particular Santa Inês e posteriormente como Grupo Escolar Municipal “Luciana de Araújo”, em homenagem à sua fundadora, a partir de 1959 a Instituição passou a se chamar Escola de 1º Grau Incompleto São Benedito. Em 1993 a Escola foi extinta para alunos pagantes passando a atender apenas crianças carentes no regime de semi-internato, hoje denominado Apoio Educativo em Meio Aberto.
O Instituto atualmente oferece Ensino Fundamental (de 1ª a 4ª série) e atividades extracurriculares que envolvem oficinas pedagógicas, de informática, artesanato e danças ministradas por membros voluntários, professores cedidos pelo Município e estagiários. Atende ainda um grupo de meninas adolescentes, estudantes de outras escolas públicas que, no turno inverso de suas aulas, realizam cursos de Iniciação Profissional realizados na Instituição.
A Instituição se mantém com a ajuda da KNH (Associação de Apoio a Criança e Adolescente), com o auxílio da comunidade local, promoções e ajuda de órgãos públicos.
          2- JUSTIFICATIVA
A elaboração e a organização de um plano de ação, estruturado de acordo com as necessidades da instituição facilita o fluxo de informações, interna ou externamente. A partir daí poderão ser elaborados produtos de comunicação que divulguem ações de forma objetiva.
O Instituto São Benedito realiza um trabalho de forte cunho social, que depende principalmente de ações voluntárias para que possa ser mantido. Reforça-se assim, a fundamental importância da divulgação do trabalho realizado pela instituição na comunidade local.
A partir do Projeto de Assessoria de Imprensa elaborado para o Instituto São Benedito serão desenvolvidas propostas de Comunicação interna, envolvendo sua direção, alunos, professores, funcionários e voluntários que atuam na instituição, contribuindo assim para um melhor relacionamento interinstitucional. A organização da comunicação na Instituição também viabilizará o contato com a imprensa local a fim de divulgar o trabalho social desenvolvido por este educandário, bem como a divulgação deste trabalho na comunidade em que está inserido.
3- OBJETIVOS
3-1- GERAL
Contribuir para a melhoria da comunicação interna da instituição, estabelecendo estratégias de divulgação de suas ações externamente, organizando assim o fluxo de informações.
3-2- ESPECÍFICOS
3-2-1- Organizar a comunicação já existente;
3-2-2- Viabilizar o fluxo de informações para meios externos;
3-2-3- Facilitar e estimular a comunicação interna;
3-2-4- Divulgar o trabalho social desenvolvido pela instituição;
3-2-5- Estimular o voluntariado em prol desta instituição.
4-      PÚBLICO ALVO
As ações desenvolvidas a partir deste projeto pretendem abranger, além do público interno – diretoria, professores, funcionários, voluntários e alunos – um público externo, constituído pela comunidade em geral, através de informativos ou outros produtos de comunicação, e através da imprensa local.
5-      RESULTADOS PREVISTOS
·         Mais facilidade no contato com os veículos de comunicação locais de que se fará uso;
·         Mais abrangência na divulgação das ações do Instituto, tanto na comunidade interna quanto externa.
6-      ESTRATÉGIAS DE AÇÃO
As estratégias de Ação definidas pela Assessoria de Imprensa do Instituto São Benedito, realizada pelos alunos do Curso de Comunicação Social da UCPel, Daiane Madruga e Tiago Lopes, de acordo com a Diretora Responsável, Irmão Julieta Bertuol, serão enumeradas no próximo item.
6-1- AÇÕES
·         Contatos com veículos de comunicação locais;
·         Elaboração de releases, textos criados como sugestão de pauta, para envio aos veículos de comunicação locais – após a aprovação da Diretoria de Imprensa – divulgando as ações realizadas pelo Instituto, observando o valor jornalístico de acordo com os interesses institucionais e do público alvo;
·         Clipping – Organização de arquivo com recorte ou gravação de informações relacionadas direta ou indiretamente à Instituição. Essas informações poderão ser oriundas de releases elaborados pela Assessoria de Imprensa;
·         Press Kit – envelope contendo todo o material referente à Instituição (releases, fotos, folders, dados, tabelas, gráficos, matérias complementares);
·         Organização de Banco de Dados, contendo Histórico da Instituição, estatutos, regimentos, atas, biografias, relatórios, e arquivo fotográfico atualizado. A organização do Banco de Dados auxiliará a elaboração de material de divulgação e as ações de comunicação interna;
·         Elaboração de boletim com periodicidade mensal.
7-      ESTRUTURA FÍSICA
          Para o desenvolvimento do Projeto de Assessoria de Imprensa, seria ideal que a Assessoria dispusesse de estrutura física adequada, dispondo de sala própria, computador, arquivos e material suficiente para coleta e armazenamento do material necessário à realização do Projeto.
            O Instituto São Benedito é uma entidade filantrópica, que depende do voluntariado, dispondo de poucos recursos. Dessa forma, a realização da Assessoria deverá se adaptar à realidade institucional e à sua estrutura física, fazendo uso dos recursos disponíveis sem prejuízo do bom andamento do projeto.
           
8-      ORÇAMENTO
Para o desenvolvimento das ações enumeradas anteriormente serão necessários alguns itens que serão adquiridos após realização, sempre que necessária, de pesquisa de menor preço nos estabelecimentos comerciais locais.
·         Material para armazenamento de informações: CDs, DVDs, arquivos, envelopes;
·         Material de expediente: papel ofício, caderno, canetas, pincéis, grampeador, grampos, tesoura, cola.
·         Impressão de boletim mensal, em tamanho A4, frente e verso;
9-      CRONOGRAMA
·         Março – elaboração do Projeto de Assessoria de Imprensa;
·         Abril – contato com a instituição;
·         Maio – execução do projeto / elaboração do Jornal Institucional.
10-  AVALIAÇÃO
A avaliação da execução do Projeto de Assessoria de Imprensa será realizada a partir de reuniões periódicas – entre a Assessoria e a Diretora de Imprensa – realizadas durante e após a elaboração do boletim mensal e sempre que se fizerem necessárias durante a realização do Projeto.

ENTREVISTA


Pedro Luís  ...O Pedrão ...
Visto: visto
Passaporte: OK
Destino: Nova Zelândia!
O administrador Pedro Luís, formado pela UCPel em 2007, viajou em fevereiro deste ano para a Nova Zelândia. Mas ao contrário do que muitos pensam, Pedro não foi para a capital dos esportes radicais pensando em esquiar nas mais concorridas Estações de Esqui da Nova Zelândia ou se aventurar no Bungy Jump, uma prática também muito comum por lá. Confira na entrevista abaixo os motivos que fizeram com que este jaguarense arrumasse a mochila rumo à Princesa da Ilha do Sul.
O que motivou sua viagem? Como foi a escolha do destino?
Queria vivenciar novas experiências, aprender sobre culturas diferentes, trbalhar e principalmente aperfeiçoar o inglês, pois até vir pra cá só tinha conhecimento básico sobre a língua. Tenho um primo que morava aqui há aproximadamente dois anos. No começo até pensei em ir para a Inglaterra, mas como tenho esse primo aqui, tudo seria mais fácil.
Você já havia viajado ou morado no exterior antes?
Não, só viajei pelo Uruguai, país vizinho à minha cidade.
Quanto tempo você pretende passar fora?
A princípio, um ano.
Houve algum choque cultural?
Sim, principalmente com relação à alimentação. A comida aqui é muito diferente, e mesmo que algumas sejam as mesmas, como arroz, por exemplo, tem aspecto e gosto diferente. Aqui tem pessoas de todos os lugares do mundo, tenho colegas da China, Japão, Inglaterra, Arábia Saudita entre outros. O que chama atenção também é o fato de ter muitos brasileiros morando aqui, e oitenta por cento deles são gaúchos. Uma das coisas muito difíceis de se adaptar aqui é com o trânsito, com a direção à direita. Tanto para dirigir como para atravessar as ruas no início é muito estranho, pois a sensação é de que está tudo errado e ao contrário.
Quais as principais dificuldades encontradas?
Além do trânsito e da comida, a língua no início também é uma barreira, pois eu não vim com conhecimento avançado.

ARTIGO CIENTÍFICO PRODUZIDO A PARTIR DA DISCIPLINA DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL


PLANEJAMENTO DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL EM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
Daiane Madruga
Resumo
A comunicação nas organizações não costuma ser objeto de investimento. Tanto organizações que visam o lucro quanto as sem fins lucrativos buscam investir em atividades e ações com retorno imediato. Este ensaio teórico busca, ao fazer uma retomada às mais remotas teorias da comunicação, trazer à tona suas principais funções e importância que exerce sobre a sociedade como um todo. Ao abordar a comunicação nas organizações, busca traçar um perfil da comunicação neste contexto e dos profissionais que atuam nesta área e aplicá-lo de forma a mudar a imagem que se tem das organizações hoje, principalmente das organizações governamentais.
Introdução
Ao fazer uma retomada às teorias de comunicação, este estudo traça uma linha de pensamento que tem início no conceito de comunicação traçado por Luís Martino (2002). Este conceito traz a intenção de romper o isolamento, a idéia de uma realização em comum. Neste sentido, a comunicação é uma forma de integração, além de interação, “reunindo então aqueles que se encontram isolados” (MARTINO, 2001, p. 13).
Muitos foram os modelos de comunicação elaborados ao longo dos séculos. Platão, o primeiro filósofo a se aventurar neste universo, conclui pela impossibilidade da realização da comunicação, uma vez que a realidade pode ser mascarada, delineada de acordo com interesses individuais. Se a primazia está na individualidade, não pode haver comunicação, uma vez que os indivíduos se mantêm presos em cavernas.
Aristóteles avançou no conceito de comunicação uma vez que considera em sua retórica, três elementos: o locutor, o discurso e o ouvinte. O modelo aristotélico vem sendo modificado, adaptado, mas vem se mantendo ao longo dos séculos por ter previsto, antes de mais nada, o discurso como forma de persuasão, idéia que vem sido mantida e utilizada contemporaneamente, principalmente na indústria publicitária.
Depois de Aristóteles outros se arriscaram neste estudo. A linha cronológica que se procurou esboçar neste ensaio acompanha a construção, ou idealização dos esquemas de comunicação, passando pelo modelo matemático de Schanon e Weaver e concluindo no modelo de Berlo. Na década de 60, David K. Berlo apresentou um modelo de comunicação em que ao retomar a retórica de Aristótelos, acrescenta a ele as condições de recepção, o contexto em que a comunicação se dá.
Considerando essa linha de pensamento, cujas pontas se encontram e se fundem no modelo apresentado por Berlo, buscou-se aplicá-lo a realidade da comunicação nas instituições hoje. Com base nestes conceitos e traçando um panorama da comunicação organizacional, este ensaio traz um esboço dos principais elementos a serem considerados na elaboração de um plano de comunicação nas organizações governamentais, de forma a considerar o contexto em que as relações se dão e buscando criar e manter uma identidade.
Teorias da comunicação
O termo comunicação tem origem latina. Comunication, formado pelos elementos munis, “estar encarregado de” e pelo prefixo co, “reunião”, que acrescidos da terminação tio dão idéia de “atividade realizada conjuntamente”.
Nas antigas comunidades cristãs a vida eclesiástica era marcada pela contemplação e isolamento. Este isolamento era interpretado de duas formas: a corrente dos “anacoretas” cultivava a solidão radical e a vivência individual, enquanto que os “cenobitas” optaram por uma vida em comunidade, nos conventos ou mosteiros. Estes lugares também são conhecidos por cenóbios, palavra de origem grega, o Koenóbion significa “lugar onde se vive em comum”. Os mosteiros também cultivavam a prática do comunicatio, o ato de “tomar a refeição da noite em comum”, essa prática tem origem na idéia de romper o isolamento.
De acordo com Luís Martino (2001, P. 14), “o significado de comunicação pode ser expresso na simples decomposição do termo comum + ação”. Desta forma “o termo comunicação refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto de consciência, ele exprime a relação entre consciências”.
Nos dicionários são encontradas várias definições acerca do significado de comunicação, entre eles, destacam-se os que definem o termo como “estabelecer relação com alguém”, “capacidade ou processo de troca, de forma direta ou através de meios técnicos”, “comunicação de espaços, circulação, transporte de coisas”, e “a mensagem, informação (a coisa que se comunica)”. Com relação a este último significado, Martino (2001, P. 16) salienta que uma mensagem ou informação não é comunicação senão de modo relativo, não se pode confundir a mensagem com o suporte, estes são apenas as condições para a comunicação. Neste sentido os suportes são apenas componentes dos meios e não meios de comunicação.
A informação é o rastro que uma consciência deixa sobre um suporte material de modo que uma outra consciência pode resgatar, recuperar, então simular, o estado em que se encontrava a peimeira consciência. O termo informação se refere a parte propriamente material, ou melhor, se refere à organização dos traços materiais por uma consciência, enquanto que o termo comunicação exprime a totalidade do proceso que coloca em relação duas (ou mais) consciências (MARTINO, 2001, P. 14).
Assim, para que informação se torne comunicação, é necessário que seja resgatada, decodificada, interpretada, de forma que a mensagem seja reconstruída.
Para Martino, o conceito de comunicação como “comunicação de espaços, circulação, transporte”, também merece atenção uma vez que concretiza o sentido original do termo comunicação. Neste conceito, o termo também se aproxima do significado de “transporte de coisas”. Na Grécia antiga, o transporte de mercadorias e o falar bem eram atividades consideradas correspondentes, pois além de transportar as mercadorias era necessário vendê-las, e para isso, era necessário encontrar, abordar e persuadir, atividades estas inerentes à comunicação (2001, p.17).
As reflexões sobre o processo de comunicação têm origem na Grécia. Para Antônio Holfeldt (2002, p. 69), Platão (427 – 327 a C) pode ser considerado o primeiro a intuir uma sala de projeção cinematográfica desde que desenvolveu em seu livro A República, uma narrativa chamada O Mito da Caverna, na qual sugere a seu interlocutor imaginar uma situação em que, dentro de uma profunda caverna, a que seres humanos estejam agrilhoados e sentados de costas para a sua entrada, por onde entraria luz, voltados para a parede dos fundos sem poderem virar-se para os lados. Eles apenas poderiam ver as sombras dos objetos existentes fora da caverna, projetados através da luz existente no exterior. Tal situação faz com que a humanidade acredite ser aquela a realidade. Posteriormente, Platão sugere que, se um daqueles indivíduos pudesse sair daquela condição, ao vislumbrar a luz, enfrentaria o desafio da adaptação, mas aos poucos se apropriaria da situação valendo-se da luz para distinguir a realidade e descobrir o engano em que vivera até então. Ao retornar à caverna para alertar os outros sobre o engano, enfrentaria novo desafio, “causaria risos e faria os outros dizerem que a ascensão lhe gastara os olhos” Platão apud Holfeldt (2002, p. 70)
De acordo com Holfeldt (2001), Platão, o primeiro filósofo ocidental a refletir a comunicação, concluiu pela impossibilidade da comunicação, de acordo com os seguintes questionamentos: se nada se sabe, ou, se se sabe errado, e para que haja comunicação é necessário comunicar uma idéia sobre algo, sobre o que comunicar? Como o indivíduo pode se relacionar e se comunicar se está preso na caverna? Como sociabilizar o conhecimento se ele se dá de modo individual e isolado? Como conceber a possibilidade da comunicação, se, mesmo que alguém se diosponha a transmitir o conhecimento, os homens se negam a ele? Holfeldt explica que ao desenvolver essa reflexão sob uma perspectiva negativa, Platão nega, de certa forma, a possibilidade de troca de informações entre os seres humanos, condenados à condição de prisioneiros da caverna (2001, p.72)
Aristóteles (384 – 322 a C) difere de Platão ao admitir a possibilidade da comunicação. Segundo Holfeldt,
”Para ele, tudo é physis, ou seja, natureza, sendo que o ser humano é o agente de modificação da mesma por excelência, ainda que participando de semelhante condição (...). Para Aristóteles (...) toda a natureza é potência, isto é, ela é em si mesma mas pode ser, em última instância, transformada em qualquer outra coisa, dependendo da intervenção humana, consubstanciada num ato” (2002, p. 73)
Para Holfeldt, (2001), a transformação da matéria se dá pelo ser humano, segundo o princípio da imitação. Aristóteles, citado por Holfeldt afirma que
“o imitar é congênito no homem (...) e os homens se comprazem no imitado. As imitações diferem, porém umas das outras, por três aspectos: ou porque imitam por meios diversos, ou porque imitam objetos diversos ou porque imitam por modos diversos e não da mesma maneira” Aristóteles apud Holfeldt (2002, p. 74)
Para Aristóteles, a imitação se dá por meios diversos, através de palavras, gestos, imagens, mesmo utilizando um mesmo material, podem-se alcançar diferentes resultados, dando origem aos diferentes gêneros artísticos. De acordo com Holfeldt, Aristóteles se refere ainda a uma imitação por modos diferentes, utilizando um mesmo meio, o que corresponde, contemporaneamente, a uma mesma forma de arte com diversos gêneros.
Em outra obra, Retórica, Aristóteles aborda a questão dos discursos, do que se diz a respeito de algo. Holfeldt afirma que “O pressuposto aristotélico é de que o ser humano não é uma individualidade, mas um ser coletivo, um animal social” (2001, p. 76). Na situação retórica, três elementos devem ser definidos: o locutor, o discurso e o ouvinte. Ao enumerar estes elementos do discurso, Aristóteles “torna-se o primeiro a formular a situação comunicativa por excelência” 2002, p. 78).
Depois de vinte séculos, o modelo aristotélico foi acrescido, através de Harold D. Laswell, de mais dois elementos: como (por meio de qual canal) e para quê (com que efeito?).
Aristóteles (...) pressupõe o processo verdadeiramente comunicativo, na medida em que, ao discernir os gêneros, entende que a situação comunicacional é dialógica, isto é, a pessoa que fala, ao dirigir-se a seu antagonista, espera dele uma resposta ou alcança convencê-lo ou dissuadi-lo de ou sobre algo. Assim, a pessoa a quem se fala transforma-se, num segundo momento, numa outra pesssoa que fala, e fala àquela primeira, por sua vez, transformada em ouvinte (HOLFELDT, 2001, P. 79)
Embora tenha acrescido dois elementos ao modelo aristotélico, Laswel não considerou esta realidade, reduzindo o processo comunicativo de Aristóteles a um processo meramente informativo, uma vez que se esgota ao atingir o receptor. Raymond Nixon e Wilbur Schramm, anos mais tarde, ao revisar o modelo proposto por Laswel, ampliaram-no. Nixon acrescentou os objetivos do emissor e as condições de recepção, enquanto que Schramm, formulou um modelo verdadeiramente comunicativo, considerando a retroalimentação ou feedback, durante todo o processo.
Com base no modelo aristotélico, alguns séculos mais tarde, em 1949, os engenheiros Claude Shanon e Warren Weaver desenvolveram a teria matemática da comunicação, incluindo todos os procedimentos através dos quais uma mente pode afetar outra mente. Para Shanon e Weaver, o sistema geral da comunicação é composto por cinco partes especiais: a fonte de informação, o cérebro de uma pessoa que produz uma ou mais seqüencias de mensagens que vão ser comunicadas ao terminal receptor; o transmissor, a voz da fonte, que opera sobre a mensagem produzindo sinais passíveis de transmissão pelo canal, o meio utilizado para transmitir o sinal até o receptor, que por sua vez, é o aparelho auditivo que realiza ordinariamente uma operação inversa em relação ao transmissor, reconstruindo a mensagem a partir do sinal. Enfim, o destinatário é a pessoa (ou coisa) a quem se dirige a mensagem (BELTRÁN, 1981, p. 9)
O modelo de Shanon e Weaver, construído pelos engenheiros essencialmente para descrever a comunicação eletromagnética, foi posteriormente adaptado à comunicação humana por Wilbur Schramm, que acrescentou ao esquema mais dois elementos: o codificador e o decodificador.
Em 1960, David K. Berlo apresentou um modelo em que retomava a retórica de Aristóteles, orientando-a ao modelo de Schanon e Weaver (STASIAK E BARICHELO, p. 5). Berlo entendera a comunicação como um processo, onde se deve considerar o contexto na qual está inserida. Desta forma, as relações são dinâmicas, sujeitas a mutações, não se podendo definir, portanto, seu começo ou fim, ou sua natureza específica.
Comunicação Organizacional
Muitas empresas vêm a comunicação com descrédito e, por conseqüência, atribuem-na a profissionais desabilitados, por acreditarem que qualquer um pode desempenhar essa tarefa. Segundo Roberto Neves (1998 p. 19), a comunicação é raramente vista como um processo e, geralmente, os departamentos são preenchidos por pessoas que não deram certo em outros setores da empresa, mas que “levam jeito pra coisa” (no caso a comunicação). Ou ainda, que recebem essa incumbência apenas sob o critério das relações. Profissionais com bons “contatos” com a imprensa e com políticos. Ao não terem uma posição bem definida no organograma, estes profissionais acabam sendo instalados nos mais diversos e adversos setores. Por conseqüência, não participam nem na condição de ouvintes das decisões dos altos escalões das empresas ou instituições.
Um dos grandes motivos que desencadeiam estes posicionamentos em relação à comunicação, de acordo com Neves, é a visão de que “é percebida como custo e não traz retorno mensurável”. Para Neves, “existem dois tipos de empresas: as que estão investindo na comunicação e as que vão desaparecer” (1998, p. 20). Tamanha responsabilidade exige planejamento, capacitação e aprimoramento dos profissionais. Para Roger Cahen, a “Comunicação Empresarial de fato, tratada seriamente como uma das mais eficientes e poderosas ferramentas estratégicas, (...) é privilégio de uns poucos profissionais clarividentes, que aceitam essa atividade como investimento e não como despesa” (1990, p. 26).
Mas a atividade, exercida em algumas empresas por especialistas de outras áreas, como direto, finanças, marketing e administração, exige “capacidade de ler cenários e projetar situações” (TORQUADO, 2002 p.7) e ainda, de acordo com Frank M. Corrado, capacidade de escrever com clareza sobre certo número de assuntos, além da habilidade de lidar com a mídia. Para Corrado, “é importante ter alguém que possa interagir tanto com a administração sênior quanto com a mídia” (1994, p. 32). Corrado explica que profissionais de outras áreas não costumam estar preparados para exercer esse tipo de atividade, a menos que tenham formação Jornalística.
Ao definir comunicação empresarial, Roger Cahen diz que
Comunicação empresarial é uma atividade sistêmica, de caráter estratégico, ligada aos mais altos escalões da empresa e que tem por objetivos: criar – onde ainda não existir ou for neutra – manter – onde já existir – ou ainda, mudar para favorável – onde for negativa – a imagem da empresa junto a seus públicos prioritários.(1999, p. 29)
Para Cahen, se a comunicação for chamada de empresarial, seu cunho será necessariamente administrativo, ao ser acrescida do termo sistêmica, tem-se que a comunicação, ao designar-se administrativo-sistêmica, será permanente.
Sistêmico também implica no fato de que comunicação deve depender o quanto menos possível da ação individual e o quanto mais possível de sistemas implantados. Por sistema compreende-se um conjunto de fatores funcionando harmoniosamente e visando um único objetivo. (CAHEN, 1999, p. 29)
A comunicação empresarial não deve ser vista como uma ação ou um conjunto de ações desenvolvidas para sanar problemas imediatos. Para que alcance seus objetivos, se faz necessário um planejamento desenvolvido a longo prazo, que garanta a criação e a manutenção de uma imagem positiva, tanto interna, quanto externamente.
Gaudêncio Torquato afirma, em sua obra Tratado de Comunicação Organizacional e Política, que, no início da década de 1970, fazia uso do termo Comunicação Empresarial em seus trabalhos e pesquisas, passando a substituí-lo, mais tarde, por Comunicação Organizacional. Ao justificar a mudança na designação do processo, Torquato explica que “a comunicação resvalava para outros terrenos e espaços, ampliando o escopo e adicionando novos campos ao território da comunicação empresarial” (2002, p.1)
De acordo com Torquato, a área pública tem avançado, no sentido de profissionalizar as estruturas de comunicação, passando a ganhar impulso, na década de 1980, a comunicação política.
Comunicação em órgãos governamentais
Servidores acomodados, burocracia em excesso. Esta é a imagem que se tem dos órgãos públicos no Brasil. Enquanto que as organizações privadas procuram manter uma imagem de qualidade, que preza pelo bom atendimento e agilidade, muitas organizações públicas parecem querer exatamente o contrário. Cada vez mais os órgãos governamentais vêm investindo em comunicação para que essa imagem dê lugar definitivamente à imagem de seriedade e comprometimento.
Em meio a crises políticas, uma boa estrutura de comunicação têm se feito cada vez mais necessária no âmbito dos governos. Gaudêncio Torquato afirma que “o desafio da comunicação na instituição pública é aproximar seus serviços da sociedade (...) se o serviço público é ruim, a comunicação não vai consertar a imagem da administração” (2002, p. 84).
De acordo com Corrado (1994), a exposição pública das ações do governo tem seu brilho garantido devido ao interesse da mídia por assuntos governamentais. Esse interesse da imprensa pelos assuntos governamentais é considerável, embora tenda a se concentrar na política, de cobertura mais fácil, enquanto que coberturas de operações burocráticas dependem, na maioria das vezes, de anúncios feitos por chefes políticos ou por relações públicas. Os informantes ou delatores anônimos são os encarregados da divulgação das notícias que os governos não têm interesse de divulgar, uma vez que podem prejudicar sua imagem. A maneira mais segura de divulgá-las é através de vazamento para um repórter.
Torquato (2002) enfatiza a importância da profissionalização das estruturas de comunicação dos governos em nível federal, estadual e municipal. De acordo com o autor, estas estruturas precisam manter um conceito sistêmico de comunicação, com uma linguagem comum a todas as áreas de comunicação jornalística, editoração, relações públicas, propaganda, pesquisa, articulação com a sociedade e eventos.
Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja medição do retorno. Não é possível aos órgãos públicos elaborarem planos de governo, sem saber quais as necessidades e reivindicações da sociedade. Essa informação “é a matéria prima essencial para desenvolver a identidade e projetar a imagem organizacional” (TORQUATO, 2002, P. 84).
Reconhecer falhas e saber revertê-las positivamente, de forma que sejam esquecidas ao serem substituídas por medidas de maior impacto são atitudes primordiais para assegurar o desempenho e a fidelidade da imagem das organizações. A imagem do poder executivo está diretamente ligada à economia. A implantação de planos econômicos como forma de manter uma imagem positiva perante a sociedade também é uma técnica que vem dando certo no Brasil.
Espelhar os programas de comunicação em um leque de funções é uma das maneiras mais eficientes de planejar a comunicação na administração pública (TORQUATO, 2002). Ao elaborar um roteiro, Torquato enumera as funções que podem contribuir com este objetivo: a comunicação como forma de integração interna, tem como função o ajustamento organizacional. Eficientes fontes de comunicação podem alimentar os ambientes internos de forma que estes se motivem e integrem-se ao espírito organizacional.
A comunicação como forma de expressão e identidade pretende criar ou manter a imagem e a credibilidade. A desintegração das estruturas e equipes, um dos problemas mais freqüentes sofridos pelos governos, fragmenta a identidade governamental. A solução apontada por Torquato (2002, p. 122) para este problema é a comunicação integrada e comandada por um pólo central. Torquato sugere ainda a elaboração de um planejamento de comunicação externa com vistas a traduzir todas as funções e atividades do Poder Judiciário, o mais fechado, e do Poder Legislativo.
A comunicação como base de cidadania assegura o direito à informação. A administração pública deve entender a comunicação como um direito dos usuários e consumidores dos serviços, portanto, não deve sonegá-lo. A comunicação como base de lançamento de valores visa expressar a cultura. Um conjunto de princípio e valores deve ser acrescentado ao planejamento de comunicação. Desta forma, estarão alimentando a cultura interna e, conseqüentemente, projetando o conceito junto aos diversos públicos-alvo. A identidade institucional deve ser o foco principal, o que não impede que o dirigente imprima sua marca, mas “os valores devem estar centrados no interesse e no papel da instituição” (TORQUATO, 2002).
A comunicação como função orientadora do discurso dos dirigentes pretende realizar uma assessoria estratégica, o que exige dos comunicadores “boa bagagem conceitual e cultural” (TORQUATO, 2002). Já a comunicação como forma de mapeamento dos interesses sociais objetiva a pesquisa, a análise do contexto. Esta análise se faz necessária ao planejamento da comunicação, uma vez que determina o foco, as necessidade e expectativas dos receptores.
A comunicação como forma de orientação aos cidadãos assume uma função educativa. Ao assumir o papel de fonte de educação, a comunicação é responsável pela transmissão de valores, idéias e informações que farão parte do leque de conhecimentos dos receptores.
A comunicação como forma de democratização do poder tem função política. De acordo com Torquato,
Compartilhar as mensagens é democratizar o poder. Pois a comunicação exerce um poder. Assim, detém mais poder quem detém mais informação. Nas estruturas administrativas, tal poder é maior nas altas chefias. E quando se repartem as informações por todos os ambientes e categorias de públicos, o que se está fazendo, de certa forma, é uma repartição de poderes. (2002, p.123)
A democratização do poder deve ser a principal característica da comunicação. Nas organizações o compartilhamento das informações se faz necessário para que haja dinamismo, para que todos falem a mesma linguagem, garantindo a que a imagem que chega ao público externo seja transparente.
A comunicação como forma de integração social exerce função social. O elo informativo integra os grupos, desta forma, quem compartilha as mesmas informações entende melhor, dialoga, estabelecendo união em torno de um ideal.
Por fim, a comunicação como instrumento a serviço da verdade tem função ética. A comunicação pública deve se basear na verdade. As falsas versões podem acabar em minutos com a imagem construída a longo prazo.
A imagem que se tem das organizações depende do rumo que a comunicação, imprensa ou assessoria de comunicação, dá a ela. Este conjunto de funções exercidas pela comunicação deve integrar o planejamento da comunicação organizacional em organizações com ou sem fins lucrativos e, principalmente, em órgãos governamentais, de forma a nortear as ações de comunicação realizadas interna ou externamente.
Considerações finais
Ao analisarmos os conceitos de comunicação, que em sua origem buscam manter uma unidade, romper o isolamento, nota-se a importância da comunicação nos mais diversos setores da sociedade.
A elaboração de um planejamento de comunicação, elaborado por profissionais qualificados, com capacidade para ler e analisar contextos, de forma a interagir nele, é fundamental. O investimento em comunicação se faz cada vez mais imprescindível na sociedade em que vivemos, uma sociedade pautada pela mídia, onde valores, e conceitos são criados e dilacerados a todo momento.
Para que um planejamento de comunicação tenha sua eficiência garantida, é necessário ter ciência de que as duas pontas do processo de criação de identidade andam juntas. Público interno e externo devem ser trabalhados concomitantemente de forma assegurar a unidade e a manutenção de uma identidade sólida.
Referências Bibliográficas

CAHEN, Roger. Comunicação Empresarial. São Paulo: Best Seller, 1990.
CORRADO, Frank. A Força da Comunicação. São Paulo: Makron Books, 1994.
HOHLFELDT, Antonio, MARTINO, Luiz C., FRANÇA, Vera Veiga. Teorias da Comunicação. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.
NEVES, Roberto de Castro. Imagem empresarial: como as organizações (e as pessoas) podem proteger e tirar partido do seu maior patrimônio. Rio de Janeiro: Mauad, 1988
REGO, Francisco Gaudêncio Torquato. Jornalismo Empresarial. São Paulo: Summus, 1987.
REGO, Francisco Gaudêncio Torquato.Comunicação empresarial, comunicação institucional: conceitos, estratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas. São Paulo: Summus, 1986.
TORQUATO, Gaudêncio. Tratado de Comunicação Organizacional e Política. São Paulo: Pioneira Thomson Learing, 2004.