segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ARTIGO CIENTÍFICO PRODUZIDO A PARTIR DA DISCIPLINA DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL


PLANEJAMENTO DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL EM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
Daiane Madruga
Resumo
A comunicação nas organizações não costuma ser objeto de investimento. Tanto organizações que visam o lucro quanto as sem fins lucrativos buscam investir em atividades e ações com retorno imediato. Este ensaio teórico busca, ao fazer uma retomada às mais remotas teorias da comunicação, trazer à tona suas principais funções e importância que exerce sobre a sociedade como um todo. Ao abordar a comunicação nas organizações, busca traçar um perfil da comunicação neste contexto e dos profissionais que atuam nesta área e aplicá-lo de forma a mudar a imagem que se tem das organizações hoje, principalmente das organizações governamentais.
Introdução
Ao fazer uma retomada às teorias de comunicação, este estudo traça uma linha de pensamento que tem início no conceito de comunicação traçado por Luís Martino (2002). Este conceito traz a intenção de romper o isolamento, a idéia de uma realização em comum. Neste sentido, a comunicação é uma forma de integração, além de interação, “reunindo então aqueles que se encontram isolados” (MARTINO, 2001, p. 13).
Muitos foram os modelos de comunicação elaborados ao longo dos séculos. Platão, o primeiro filósofo a se aventurar neste universo, conclui pela impossibilidade da realização da comunicação, uma vez que a realidade pode ser mascarada, delineada de acordo com interesses individuais. Se a primazia está na individualidade, não pode haver comunicação, uma vez que os indivíduos se mantêm presos em cavernas.
Aristóteles avançou no conceito de comunicação uma vez que considera em sua retórica, três elementos: o locutor, o discurso e o ouvinte. O modelo aristotélico vem sendo modificado, adaptado, mas vem se mantendo ao longo dos séculos por ter previsto, antes de mais nada, o discurso como forma de persuasão, idéia que vem sido mantida e utilizada contemporaneamente, principalmente na indústria publicitária.
Depois de Aristóteles outros se arriscaram neste estudo. A linha cronológica que se procurou esboçar neste ensaio acompanha a construção, ou idealização dos esquemas de comunicação, passando pelo modelo matemático de Schanon e Weaver e concluindo no modelo de Berlo. Na década de 60, David K. Berlo apresentou um modelo de comunicação em que ao retomar a retórica de Aristótelos, acrescenta a ele as condições de recepção, o contexto em que a comunicação se dá.
Considerando essa linha de pensamento, cujas pontas se encontram e se fundem no modelo apresentado por Berlo, buscou-se aplicá-lo a realidade da comunicação nas instituições hoje. Com base nestes conceitos e traçando um panorama da comunicação organizacional, este ensaio traz um esboço dos principais elementos a serem considerados na elaboração de um plano de comunicação nas organizações governamentais, de forma a considerar o contexto em que as relações se dão e buscando criar e manter uma identidade.
Teorias da comunicação
O termo comunicação tem origem latina. Comunication, formado pelos elementos munis, “estar encarregado de” e pelo prefixo co, “reunião”, que acrescidos da terminação tio dão idéia de “atividade realizada conjuntamente”.
Nas antigas comunidades cristãs a vida eclesiástica era marcada pela contemplação e isolamento. Este isolamento era interpretado de duas formas: a corrente dos “anacoretas” cultivava a solidão radical e a vivência individual, enquanto que os “cenobitas” optaram por uma vida em comunidade, nos conventos ou mosteiros. Estes lugares também são conhecidos por cenóbios, palavra de origem grega, o Koenóbion significa “lugar onde se vive em comum”. Os mosteiros também cultivavam a prática do comunicatio, o ato de “tomar a refeição da noite em comum”, essa prática tem origem na idéia de romper o isolamento.
De acordo com Luís Martino (2001, P. 14), “o significado de comunicação pode ser expresso na simples decomposição do termo comum + ação”. Desta forma “o termo comunicação refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto de consciência, ele exprime a relação entre consciências”.
Nos dicionários são encontradas várias definições acerca do significado de comunicação, entre eles, destacam-se os que definem o termo como “estabelecer relação com alguém”, “capacidade ou processo de troca, de forma direta ou através de meios técnicos”, “comunicação de espaços, circulação, transporte de coisas”, e “a mensagem, informação (a coisa que se comunica)”. Com relação a este último significado, Martino (2001, P. 16) salienta que uma mensagem ou informação não é comunicação senão de modo relativo, não se pode confundir a mensagem com o suporte, estes são apenas as condições para a comunicação. Neste sentido os suportes são apenas componentes dos meios e não meios de comunicação.
A informação é o rastro que uma consciência deixa sobre um suporte material de modo que uma outra consciência pode resgatar, recuperar, então simular, o estado em que se encontrava a peimeira consciência. O termo informação se refere a parte propriamente material, ou melhor, se refere à organização dos traços materiais por uma consciência, enquanto que o termo comunicação exprime a totalidade do proceso que coloca em relação duas (ou mais) consciências (MARTINO, 2001, P. 14).
Assim, para que informação se torne comunicação, é necessário que seja resgatada, decodificada, interpretada, de forma que a mensagem seja reconstruída.
Para Martino, o conceito de comunicação como “comunicação de espaços, circulação, transporte”, também merece atenção uma vez que concretiza o sentido original do termo comunicação. Neste conceito, o termo também se aproxima do significado de “transporte de coisas”. Na Grécia antiga, o transporte de mercadorias e o falar bem eram atividades consideradas correspondentes, pois além de transportar as mercadorias era necessário vendê-las, e para isso, era necessário encontrar, abordar e persuadir, atividades estas inerentes à comunicação (2001, p.17).
As reflexões sobre o processo de comunicação têm origem na Grécia. Para Antônio Holfeldt (2002, p. 69), Platão (427 – 327 a C) pode ser considerado o primeiro a intuir uma sala de projeção cinematográfica desde que desenvolveu em seu livro A República, uma narrativa chamada O Mito da Caverna, na qual sugere a seu interlocutor imaginar uma situação em que, dentro de uma profunda caverna, a que seres humanos estejam agrilhoados e sentados de costas para a sua entrada, por onde entraria luz, voltados para a parede dos fundos sem poderem virar-se para os lados. Eles apenas poderiam ver as sombras dos objetos existentes fora da caverna, projetados através da luz existente no exterior. Tal situação faz com que a humanidade acredite ser aquela a realidade. Posteriormente, Platão sugere que, se um daqueles indivíduos pudesse sair daquela condição, ao vislumbrar a luz, enfrentaria o desafio da adaptação, mas aos poucos se apropriaria da situação valendo-se da luz para distinguir a realidade e descobrir o engano em que vivera até então. Ao retornar à caverna para alertar os outros sobre o engano, enfrentaria novo desafio, “causaria risos e faria os outros dizerem que a ascensão lhe gastara os olhos” Platão apud Holfeldt (2002, p. 70)
De acordo com Holfeldt (2001), Platão, o primeiro filósofo ocidental a refletir a comunicação, concluiu pela impossibilidade da comunicação, de acordo com os seguintes questionamentos: se nada se sabe, ou, se se sabe errado, e para que haja comunicação é necessário comunicar uma idéia sobre algo, sobre o que comunicar? Como o indivíduo pode se relacionar e se comunicar se está preso na caverna? Como sociabilizar o conhecimento se ele se dá de modo individual e isolado? Como conceber a possibilidade da comunicação, se, mesmo que alguém se diosponha a transmitir o conhecimento, os homens se negam a ele? Holfeldt explica que ao desenvolver essa reflexão sob uma perspectiva negativa, Platão nega, de certa forma, a possibilidade de troca de informações entre os seres humanos, condenados à condição de prisioneiros da caverna (2001, p.72)
Aristóteles (384 – 322 a C) difere de Platão ao admitir a possibilidade da comunicação. Segundo Holfeldt,
”Para ele, tudo é physis, ou seja, natureza, sendo que o ser humano é o agente de modificação da mesma por excelência, ainda que participando de semelhante condição (...). Para Aristóteles (...) toda a natureza é potência, isto é, ela é em si mesma mas pode ser, em última instância, transformada em qualquer outra coisa, dependendo da intervenção humana, consubstanciada num ato” (2002, p. 73)
Para Holfeldt, (2001), a transformação da matéria se dá pelo ser humano, segundo o princípio da imitação. Aristóteles, citado por Holfeldt afirma que
“o imitar é congênito no homem (...) e os homens se comprazem no imitado. As imitações diferem, porém umas das outras, por três aspectos: ou porque imitam por meios diversos, ou porque imitam objetos diversos ou porque imitam por modos diversos e não da mesma maneira” Aristóteles apud Holfeldt (2002, p. 74)
Para Aristóteles, a imitação se dá por meios diversos, através de palavras, gestos, imagens, mesmo utilizando um mesmo material, podem-se alcançar diferentes resultados, dando origem aos diferentes gêneros artísticos. De acordo com Holfeldt, Aristóteles se refere ainda a uma imitação por modos diferentes, utilizando um mesmo meio, o que corresponde, contemporaneamente, a uma mesma forma de arte com diversos gêneros.
Em outra obra, Retórica, Aristóteles aborda a questão dos discursos, do que se diz a respeito de algo. Holfeldt afirma que “O pressuposto aristotélico é de que o ser humano não é uma individualidade, mas um ser coletivo, um animal social” (2001, p. 76). Na situação retórica, três elementos devem ser definidos: o locutor, o discurso e o ouvinte. Ao enumerar estes elementos do discurso, Aristóteles “torna-se o primeiro a formular a situação comunicativa por excelência” 2002, p. 78).
Depois de vinte séculos, o modelo aristotélico foi acrescido, através de Harold D. Laswell, de mais dois elementos: como (por meio de qual canal) e para quê (com que efeito?).
Aristóteles (...) pressupõe o processo verdadeiramente comunicativo, na medida em que, ao discernir os gêneros, entende que a situação comunicacional é dialógica, isto é, a pessoa que fala, ao dirigir-se a seu antagonista, espera dele uma resposta ou alcança convencê-lo ou dissuadi-lo de ou sobre algo. Assim, a pessoa a quem se fala transforma-se, num segundo momento, numa outra pesssoa que fala, e fala àquela primeira, por sua vez, transformada em ouvinte (HOLFELDT, 2001, P. 79)
Embora tenha acrescido dois elementos ao modelo aristotélico, Laswel não considerou esta realidade, reduzindo o processo comunicativo de Aristóteles a um processo meramente informativo, uma vez que se esgota ao atingir o receptor. Raymond Nixon e Wilbur Schramm, anos mais tarde, ao revisar o modelo proposto por Laswel, ampliaram-no. Nixon acrescentou os objetivos do emissor e as condições de recepção, enquanto que Schramm, formulou um modelo verdadeiramente comunicativo, considerando a retroalimentação ou feedback, durante todo o processo.
Com base no modelo aristotélico, alguns séculos mais tarde, em 1949, os engenheiros Claude Shanon e Warren Weaver desenvolveram a teria matemática da comunicação, incluindo todos os procedimentos através dos quais uma mente pode afetar outra mente. Para Shanon e Weaver, o sistema geral da comunicação é composto por cinco partes especiais: a fonte de informação, o cérebro de uma pessoa que produz uma ou mais seqüencias de mensagens que vão ser comunicadas ao terminal receptor; o transmissor, a voz da fonte, que opera sobre a mensagem produzindo sinais passíveis de transmissão pelo canal, o meio utilizado para transmitir o sinal até o receptor, que por sua vez, é o aparelho auditivo que realiza ordinariamente uma operação inversa em relação ao transmissor, reconstruindo a mensagem a partir do sinal. Enfim, o destinatário é a pessoa (ou coisa) a quem se dirige a mensagem (BELTRÁN, 1981, p. 9)
O modelo de Shanon e Weaver, construído pelos engenheiros essencialmente para descrever a comunicação eletromagnética, foi posteriormente adaptado à comunicação humana por Wilbur Schramm, que acrescentou ao esquema mais dois elementos: o codificador e o decodificador.
Em 1960, David K. Berlo apresentou um modelo em que retomava a retórica de Aristóteles, orientando-a ao modelo de Schanon e Weaver (STASIAK E BARICHELO, p. 5). Berlo entendera a comunicação como um processo, onde se deve considerar o contexto na qual está inserida. Desta forma, as relações são dinâmicas, sujeitas a mutações, não se podendo definir, portanto, seu começo ou fim, ou sua natureza específica.
Comunicação Organizacional
Muitas empresas vêm a comunicação com descrédito e, por conseqüência, atribuem-na a profissionais desabilitados, por acreditarem que qualquer um pode desempenhar essa tarefa. Segundo Roberto Neves (1998 p. 19), a comunicação é raramente vista como um processo e, geralmente, os departamentos são preenchidos por pessoas que não deram certo em outros setores da empresa, mas que “levam jeito pra coisa” (no caso a comunicação). Ou ainda, que recebem essa incumbência apenas sob o critério das relações. Profissionais com bons “contatos” com a imprensa e com políticos. Ao não terem uma posição bem definida no organograma, estes profissionais acabam sendo instalados nos mais diversos e adversos setores. Por conseqüência, não participam nem na condição de ouvintes das decisões dos altos escalões das empresas ou instituições.
Um dos grandes motivos que desencadeiam estes posicionamentos em relação à comunicação, de acordo com Neves, é a visão de que “é percebida como custo e não traz retorno mensurável”. Para Neves, “existem dois tipos de empresas: as que estão investindo na comunicação e as que vão desaparecer” (1998, p. 20). Tamanha responsabilidade exige planejamento, capacitação e aprimoramento dos profissionais. Para Roger Cahen, a “Comunicação Empresarial de fato, tratada seriamente como uma das mais eficientes e poderosas ferramentas estratégicas, (...) é privilégio de uns poucos profissionais clarividentes, que aceitam essa atividade como investimento e não como despesa” (1990, p. 26).
Mas a atividade, exercida em algumas empresas por especialistas de outras áreas, como direto, finanças, marketing e administração, exige “capacidade de ler cenários e projetar situações” (TORQUADO, 2002 p.7) e ainda, de acordo com Frank M. Corrado, capacidade de escrever com clareza sobre certo número de assuntos, além da habilidade de lidar com a mídia. Para Corrado, “é importante ter alguém que possa interagir tanto com a administração sênior quanto com a mídia” (1994, p. 32). Corrado explica que profissionais de outras áreas não costumam estar preparados para exercer esse tipo de atividade, a menos que tenham formação Jornalística.
Ao definir comunicação empresarial, Roger Cahen diz que
Comunicação empresarial é uma atividade sistêmica, de caráter estratégico, ligada aos mais altos escalões da empresa e que tem por objetivos: criar – onde ainda não existir ou for neutra – manter – onde já existir – ou ainda, mudar para favorável – onde for negativa – a imagem da empresa junto a seus públicos prioritários.(1999, p. 29)
Para Cahen, se a comunicação for chamada de empresarial, seu cunho será necessariamente administrativo, ao ser acrescida do termo sistêmica, tem-se que a comunicação, ao designar-se administrativo-sistêmica, será permanente.
Sistêmico também implica no fato de que comunicação deve depender o quanto menos possível da ação individual e o quanto mais possível de sistemas implantados. Por sistema compreende-se um conjunto de fatores funcionando harmoniosamente e visando um único objetivo. (CAHEN, 1999, p. 29)
A comunicação empresarial não deve ser vista como uma ação ou um conjunto de ações desenvolvidas para sanar problemas imediatos. Para que alcance seus objetivos, se faz necessário um planejamento desenvolvido a longo prazo, que garanta a criação e a manutenção de uma imagem positiva, tanto interna, quanto externamente.
Gaudêncio Torquato afirma, em sua obra Tratado de Comunicação Organizacional e Política, que, no início da década de 1970, fazia uso do termo Comunicação Empresarial em seus trabalhos e pesquisas, passando a substituí-lo, mais tarde, por Comunicação Organizacional. Ao justificar a mudança na designação do processo, Torquato explica que “a comunicação resvalava para outros terrenos e espaços, ampliando o escopo e adicionando novos campos ao território da comunicação empresarial” (2002, p.1)
De acordo com Torquato, a área pública tem avançado, no sentido de profissionalizar as estruturas de comunicação, passando a ganhar impulso, na década de 1980, a comunicação política.
Comunicação em órgãos governamentais
Servidores acomodados, burocracia em excesso. Esta é a imagem que se tem dos órgãos públicos no Brasil. Enquanto que as organizações privadas procuram manter uma imagem de qualidade, que preza pelo bom atendimento e agilidade, muitas organizações públicas parecem querer exatamente o contrário. Cada vez mais os órgãos governamentais vêm investindo em comunicação para que essa imagem dê lugar definitivamente à imagem de seriedade e comprometimento.
Em meio a crises políticas, uma boa estrutura de comunicação têm se feito cada vez mais necessária no âmbito dos governos. Gaudêncio Torquato afirma que “o desafio da comunicação na instituição pública é aproximar seus serviços da sociedade (...) se o serviço público é ruim, a comunicação não vai consertar a imagem da administração” (2002, p. 84).
De acordo com Corrado (1994), a exposição pública das ações do governo tem seu brilho garantido devido ao interesse da mídia por assuntos governamentais. Esse interesse da imprensa pelos assuntos governamentais é considerável, embora tenda a se concentrar na política, de cobertura mais fácil, enquanto que coberturas de operações burocráticas dependem, na maioria das vezes, de anúncios feitos por chefes políticos ou por relações públicas. Os informantes ou delatores anônimos são os encarregados da divulgação das notícias que os governos não têm interesse de divulgar, uma vez que podem prejudicar sua imagem. A maneira mais segura de divulgá-las é através de vazamento para um repórter.
Torquato (2002) enfatiza a importância da profissionalização das estruturas de comunicação dos governos em nível federal, estadual e municipal. De acordo com o autor, estas estruturas precisam manter um conceito sistêmico de comunicação, com uma linguagem comum a todas as áreas de comunicação jornalística, editoração, relações públicas, propaganda, pesquisa, articulação com a sociedade e eventos.
Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja medição do retorno. Não é possível aos órgãos públicos elaborarem planos de governo, sem saber quais as necessidades e reivindicações da sociedade. Essa informação “é a matéria prima essencial para desenvolver a identidade e projetar a imagem organizacional” (TORQUATO, 2002, P. 84).
Reconhecer falhas e saber revertê-las positivamente, de forma que sejam esquecidas ao serem substituídas por medidas de maior impacto são atitudes primordiais para assegurar o desempenho e a fidelidade da imagem das organizações. A imagem do poder executivo está diretamente ligada à economia. A implantação de planos econômicos como forma de manter uma imagem positiva perante a sociedade também é uma técnica que vem dando certo no Brasil.
Espelhar os programas de comunicação em um leque de funções é uma das maneiras mais eficientes de planejar a comunicação na administração pública (TORQUATO, 2002). Ao elaborar um roteiro, Torquato enumera as funções que podem contribuir com este objetivo: a comunicação como forma de integração interna, tem como função o ajustamento organizacional. Eficientes fontes de comunicação podem alimentar os ambientes internos de forma que estes se motivem e integrem-se ao espírito organizacional.
A comunicação como forma de expressão e identidade pretende criar ou manter a imagem e a credibilidade. A desintegração das estruturas e equipes, um dos problemas mais freqüentes sofridos pelos governos, fragmenta a identidade governamental. A solução apontada por Torquato (2002, p. 122) para este problema é a comunicação integrada e comandada por um pólo central. Torquato sugere ainda a elaboração de um planejamento de comunicação externa com vistas a traduzir todas as funções e atividades do Poder Judiciário, o mais fechado, e do Poder Legislativo.
A comunicação como base de cidadania assegura o direito à informação. A administração pública deve entender a comunicação como um direito dos usuários e consumidores dos serviços, portanto, não deve sonegá-lo. A comunicação como base de lançamento de valores visa expressar a cultura. Um conjunto de princípio e valores deve ser acrescentado ao planejamento de comunicação. Desta forma, estarão alimentando a cultura interna e, conseqüentemente, projetando o conceito junto aos diversos públicos-alvo. A identidade institucional deve ser o foco principal, o que não impede que o dirigente imprima sua marca, mas “os valores devem estar centrados no interesse e no papel da instituição” (TORQUATO, 2002).
A comunicação como função orientadora do discurso dos dirigentes pretende realizar uma assessoria estratégica, o que exige dos comunicadores “boa bagagem conceitual e cultural” (TORQUATO, 2002). Já a comunicação como forma de mapeamento dos interesses sociais objetiva a pesquisa, a análise do contexto. Esta análise se faz necessária ao planejamento da comunicação, uma vez que determina o foco, as necessidade e expectativas dos receptores.
A comunicação como forma de orientação aos cidadãos assume uma função educativa. Ao assumir o papel de fonte de educação, a comunicação é responsável pela transmissão de valores, idéias e informações que farão parte do leque de conhecimentos dos receptores.
A comunicação como forma de democratização do poder tem função política. De acordo com Torquato,
Compartilhar as mensagens é democratizar o poder. Pois a comunicação exerce um poder. Assim, detém mais poder quem detém mais informação. Nas estruturas administrativas, tal poder é maior nas altas chefias. E quando se repartem as informações por todos os ambientes e categorias de públicos, o que se está fazendo, de certa forma, é uma repartição de poderes. (2002, p.123)
A democratização do poder deve ser a principal característica da comunicação. Nas organizações o compartilhamento das informações se faz necessário para que haja dinamismo, para que todos falem a mesma linguagem, garantindo a que a imagem que chega ao público externo seja transparente.
A comunicação como forma de integração social exerce função social. O elo informativo integra os grupos, desta forma, quem compartilha as mesmas informações entende melhor, dialoga, estabelecendo união em torno de um ideal.
Por fim, a comunicação como instrumento a serviço da verdade tem função ética. A comunicação pública deve se basear na verdade. As falsas versões podem acabar em minutos com a imagem construída a longo prazo.
A imagem que se tem das organizações depende do rumo que a comunicação, imprensa ou assessoria de comunicação, dá a ela. Este conjunto de funções exercidas pela comunicação deve integrar o planejamento da comunicação organizacional em organizações com ou sem fins lucrativos e, principalmente, em órgãos governamentais, de forma a nortear as ações de comunicação realizadas interna ou externamente.
Considerações finais
Ao analisarmos os conceitos de comunicação, que em sua origem buscam manter uma unidade, romper o isolamento, nota-se a importância da comunicação nos mais diversos setores da sociedade.
A elaboração de um planejamento de comunicação, elaborado por profissionais qualificados, com capacidade para ler e analisar contextos, de forma a interagir nele, é fundamental. O investimento em comunicação se faz cada vez mais imprescindível na sociedade em que vivemos, uma sociedade pautada pela mídia, onde valores, e conceitos são criados e dilacerados a todo momento.
Para que um planejamento de comunicação tenha sua eficiência garantida, é necessário ter ciência de que as duas pontas do processo de criação de identidade andam juntas. Público interno e externo devem ser trabalhados concomitantemente de forma assegurar a unidade e a manutenção de uma identidade sólida.
Referências Bibliográficas

CAHEN, Roger. Comunicação Empresarial. São Paulo: Best Seller, 1990.
CORRADO, Frank. A Força da Comunicação. São Paulo: Makron Books, 1994.
HOHLFELDT, Antonio, MARTINO, Luiz C., FRANÇA, Vera Veiga. Teorias da Comunicação. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.
NEVES, Roberto de Castro. Imagem empresarial: como as organizações (e as pessoas) podem proteger e tirar partido do seu maior patrimônio. Rio de Janeiro: Mauad, 1988
REGO, Francisco Gaudêncio Torquato. Jornalismo Empresarial. São Paulo: Summus, 1987.
REGO, Francisco Gaudêncio Torquato.Comunicação empresarial, comunicação institucional: conceitos, estratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas. São Paulo: Summus, 1986.
TORQUATO, Gaudêncio. Tratado de Comunicação Organizacional e Política. São Paulo: Pioneira Thomson Learing, 2004.

TEXTOS PRODUZIDOS A PARTIR DAS AULAS DE REDAÇÃO E JORNALISMO DIGITAL



Atividades complementares
Exigência nas Instituições de Ensino Superior, as modalidades começam a ser oferecidas pela UCPel no primeiro semestre dois mil e nove.
O ano letivo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) começou com algumas novidades. Além da mudança de currículo, muitos dos alunos agora terão oportunidade de cumprir, na própria universidade, parte da carga horária de atividades extracurriculares exigidas para a conclusão do curso.
Trata-se das atividades complementares, que não são novidade para quem já era aluno da UCPel e continua no currículo antigo. A inovação está na forma como a carga horária será cumprida. Se antes os universitários precisavam cumprir atividades extraclasse como participações em seminários, estágios, pesquisas científicas, além da carga horária das disciplinas e dos trabalhos de conclusão, agora, o total de horas necessárias para a conclusão da graduação será dividido entre estas atividades e as que a própria universidade vai oferecer.
As atividades complementares fazem parte das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), que devem ser respeitadas pelas Instituições de Ensino Superior. De acordo com estas diretrizes, a carga horária deve ser dividida entre atividades complementares gerais e específicas, onde as primeiras são as oferecidas pela universidade e as segundas, realizadas pelo aluno durante o período da graduação.
As atividades complementares gerais, com carga horária de vinte horas semestrais, são oferecidas em três modalidades: educação à distância, semipresencial e presencial. As atividades de educação à distância serão realizadas através do ambiente de aprendizagem Modle, que pode ser acessado pelos alunos através do Sistema de Apoio UCPel (SAPU). Os estudantes que optarem pela modalidade semipresencial terão de dispor de uma hora a cada quinze dias para atividade presenciais, além de dez horas de leituras através do ambiente no SAPU.  Na modalidade presencial, estão sendo oferecidas vagas para atividades em projetos de extensão, pesquisa e estudos de cinema.
Cada curso exige uma carga horária específica. No curso de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo ou publicidade e propaganda, deverão ser cumpridas quarenta horas semestrais, o que significa que cada aluno deve escolher duas atividades, totalizando a carga horária exigida a cada semestre. De acordo com o coordenador do curso de jornalismo, professor Michael Ker, nos próximos semestres serão oferecidas outras disciplinas no quadro de atividades gerais. “A idéia é que o número de atividades complementares oferecidas vá aumentando”, salienta o professor. Os alunos que permanecem no currículo antigo não estão enquadrados na nova exigência. Quem quiser obter mais informações poderá se dirigir ao saguão do campus I, em frente ao espaço de alimentação.








MUDANÇAS NO JORNALISMO 
Discussões acerca dos cursos vão além da questão dos diplomas

Imparcialidade, ética, responsabilidade, idoneidade, estes são alguns dos atributos que um bom jornalismo deve ter para desempenhar seu compromisso social assegurando a democracia. Desde o ano passado as discussões em torno dos cursos de jornalismo, e da exigência ou não de diploma para esta área de atuação vem ganhando espaço nas universidades e órgãos ligados a imprensa nacional. Além da exigência ou não do diploma estão em jogo ainda questões como a qualidade do curso, seu tempo de duração e sua autonomia em relação às ciências sociais.
Em novembro do ano passado o ministro da educação, Fernando Hadad, falou na possibilidade da criação de um curso de dois anos para bacharéis em outras áreas como direito e economia. Esta medida possibilitaria a estes profissionais complementarem sua formação sem a necessidade de cursar inteiramente o curso, durante quatro anos, reduzindo assim a formação em jornalismo a uma mera especialização. Esta medida deverá ser analisada até junho de 2009.
Parece que a qualificação dos profissionais de jornalismo não é mesmo uma das maiores preocupações do MEC (Ministério da Educação). Além da possibilidade da redução da carga horária do curso, o Ministério não pretende cortar novas vagas nos cursos de baixa qualidade, diferente do que acontece nos cursos de direito, pedagogia e medicina. De acordo com Fernando Hadad, em entrevista concedida a o jornal Gazeta do Povo em novembro do ano passado, os cursos terão de assinar termos de saneamento de deficiência com o MEC depois de serem avaliados pelo Órgão.
No último dia 20, foi realizada a primeira de três audiências públicas para discussão das mudanças nos cursos de jornalismo. O evento realizado no Rio de janeiro contou com a participação de professores e pesquisadores da área jornalística que apresentaram sugestões à comissão criada pelo MEC para rever as diretrizes curriculares estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), por solicitação do Ministério da Educação. Estas diretrizes orientam as universidades na formulação do projeto pedagógico dos cursos de  graduação.
A próxima audiência prevista para o dia 24 de abril, será realizada em Recife e contará com a presença de entidades de classe, profissionais da área e representantes do mercado de trabalho. Na terceira e última audiência, a ser realizada no dia 18 de maio, serão ouvidos ainda os movimentos sociais e representantes da sociedade civil. Segundo Fernando Hadad, a mudança nas diretrizes curriculares do curso não depende da discussão acerca da exigência do diploma para jornalistas.
A comissão de Especialistas em Jornalismo foi constituída pela Secretaria de Educação Superior (Sesu), através da Portaria 203/2009 para subsidiar o MEC no trabalho de revisão das diretrizes. Participaram da comissão representantes das Universidades Federais de Pernambuco, de Santa Catarina e do Recôncavo Baiano, além de representantes da Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo e Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A comissão contou ainda com a participação de Lucia Maria Araújo, do Canal Futura.
O MEC disponibilizou um endereço eletrônico para que profissionais, estudantes e professores possam participar da consulta pública sobre as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, que englobam o perfil do profissional e as principais competências a serem adquiridas a partir de sua formação. Serão aceitas mensagens até o dia 30 de março, através do e-mail: consulta.jornalismo@mec.gov.br.
Alimentação alternativa
A preparação correta dos alimentos, sem desperdícios, gera economia e alimentação saudável
Tirar o máximo de proveito dos alimentos sem desperdiçá-los é uma ótima opção para quem quer manter uma alimentação saudável, gerando economia e contribuindo também com o meio ambiente. Alternativas criadas para combater a desnutrição e manter uma alimentação equilibrada, incluem alimentos de alto valor nutritivo, de preparo rápido e custo mais baixo.
O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, em contrapartida, apresenta um quadro de aproveitamento insuficiente do seu potencial nutritivo. Muitos alimentos são preparados de forma incorreta, sendo desperdiçados nutrientes essenciais ou no cozimento ou na seleção do que deve ser posto no prato.
A boa alimentação deve conter todos os grupos de alimentos, classificados como construtores (proteínas), reguladores (vitaminas e sais minerais) e os alimentos energéticos (carboidratos e lipídios). O princípio da multimistura, o carro chefe da alimentação alternativa, aproveita diversos alimentos que muitas vezes são desprezados como as folhas verde-escuras (de batata-doce, mandioca, beterraba), raízes e tubérculos, além da casca de ovo e as sementes de abóbora, melancia, gergelim, melão, entre outras. A inclusão da multimistura no cardápio do dia-a-dia pretende enriquecer aquilo que se gosta de comer com um concentrado de vitaminas e nutrientes para se obter uma dieta equilibrada sem mudar o sabor ou o tipo de preparação dos alimentos.
(BOX)
Para fazer a farinha multimistura, é necessário conhecer bem os alimentos que irão ser utilizados. Existem alimentos que são tóxicos, e precisam de cuidados especiais quando forem preparados.
- A farinha de trigo, de aveia, de milho (fubá) e de outros cereais é rica em amido, gordura e proteína - dão energia e ajudam na formação dos músculos.
- As sementes são ricas em gordura, proteína, vitaminas e minerais - além da energia e da formação dos músculos, são importantes para o regular o funcionamento do corpo.
- Os farelos de trigo e de arroz são ricos em vitaminas, ferro, cálcio, zinco e fibras - além de ajudar na formação do sangue e dos ossos, e no crescimento e funcionamento do corpo, esses alimentos servem para regular o intestino, evitando a prisão de ventre.
- As folhas verde-escuras são riquíssimas em vitamina A, ferro, cálcio e outros nutrientes - além da formação do sangue e dos ossos, esses alimentos aumentam a resistência contra doenças, são importantes para a visão, crescimento do corpo, formação e manutenção da pele.
- A casca de ovo é riquíssima em cálcio.
Fonte: (Mesa Brasil SESC Segurança Alimentar e Nutricional). Programa Alimentos Seguros.
Dicas de receitas alternativas

Tira - gosto de sementes
Ingredientes
• sementes de abóbora ou melão
• sal a gosto
Modo de Preparo
Lavar bem as sementes e salgá-las. Deixar secar por 24 horas. Levar ao forno para tostar.
Bolinhos de cascas de batata
Ingredientes
• 2 xícaras de casca de batata cozidas e batidas
• 2 xícaras de farinha de trigo
• 2 ovos
• 2 colheres de salsinha picada
• sal a gosto
• 1 colher (sobremesa) de fermento em pó
• óleo para fritar
Modo de Preparo
Ferver as cascas de batata e bater no liquidificador. Colocara massa numa tigela, acrescentar os ovos, a farinha, sal e o fermento. Misturar bem. Aquecer o óleo e ir fritando os bolinhos às colheradas.
Bolinho de talos, folhas ou cascas
Ingredientes
• 1 xícara (chá) de talos, folhas ou cascas bem lavadas e picadas
• 2 ovos
• 5 colheres (sopa) de farinha de trigo
• 1/2 cebola picada
• 2 colheres (sopa) de água
• sal a gosto
• óleo para fritar
Modo de Preparo
Bater bem o ovo e misturar o restante dos ingredientes.
Fritar os bolinhos às colheradas em óleo quente. Escorrerem papel absorvente. Podem ser usadas: talos de acelga,couve, agrião, brócolis, couve-flor, folhas de cenoura, beterraba, nabo, rabanete, ou cascas de chuchu.
OBS.: No caso dos talos da couve, couve-flor e brócolis recomenda-se dar uma pré-fervura antes do preparo.
Aproveitar esta água do cozimento dos talos para outras preparações (arroz, sopa etc.).
Farofa de folhas e talos
Ingredientes
• 2 colheres (sopa) de margarina ou óleo
• 2 colheres (sopa) de cebola ralada
• 2 xícaras (chá) de farinha de mandioca torrada ou farinha de milho
• sal a gosto
• folhas ou talos bem lavados, picados e refogados
Modo de Preparo
Derreter a margarina ou o óleo e refogar a cebola até dourar. Juntar as folhas ou talos. Acrescentar, aos poucos, a farinha de mandioca ou milho e o sal. Mexer bem. Servir em seguida. Podem ser usadas folhas de beterraba, rabanete, nabo, couve-flor, brócolis ou mesmo seus talos.
Bolo de casca de abóbora com chocolate
Ingredientes
Massa
• 1 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
• 2 xícaras (chá) de açúcar
• ¾ xícaras (chá) de maisena
• 3 ovos
• 1 xícara (chá) de óleo
• 2 xícaras (chá) de casca de abóbora picada
• 1 colher (sopa) de fermento em pó
Cobertura
• 4 colheres (sopa) de leite
• 4 colheres (sopa) de chocolate em pó
• 4 colheres (sopa) de açúcar
Modo de Preparo
Massa
Bata no liquidificador as cascas, ovos e óleo. À parte, peneire numa tigela a farinha, maisena, açúcar e fermento. Junte a mistura no liquidificador e misture muito bem. Unte uma assadeira média com margarina e farinha, coloque a mistura e leve para assar em forno médio.
Cobertura
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo até ferver e reserve. Depois do bolo assado, espalhe esta cobertura por cima e deixe esfriar.
Paçoca doce
Ingredientes
• 1 copo de sementes torradas, moídas e peneiradas de abóbora ou melancia, ou as duas juntas
• 1/2 copo de farinha de mandioca
• 1/2 copo de farelo de trigo ou arroz, torrado
• 1/2 copo de açúcar
• 1 pitada de sal
• 1 pitada de pó de casca de ovo (bem lavada, antes de torrar e moer)
Modo de Preparo
Misturar todos os ingredientes e guardar em vasilhame fechado.
OBS.: As paçocas doces acrescidas de água ou leite podem ser levadas ao fogo e transformar-se em deliciosos e nutritivos mingaus.

MATÉRIAS PRODUZIDAS PARA PUBLICAÇÃO NO SITE Noite & Cia.

Nova “Lei Seca” se torna mais rígida
Mudanças no Código de Trânsito brasileiro definem penalidades sofridas por infratores.

Desde que começou a vigorar em 20 de junho, a lei seca, que proíbe o consumo de álcool antes de dirigir, mudou o hábito de muitos motoristas brasileiros. Multa por infração gravíssima, retenção da carteira de motorista. Quem provocar crime no trânsito após beber vai responder por crime doloso, quando há intenção de matar. De acordo com a nova redação da Lei 11.705, estas são algumas das penalidades sofridas por quem insistir em dirigir após beber.
As grandes cidades sofreram um impacto positivo desde que a lei seca passou a vigorar com nova redação. O número de mortes e de atendimentos a vítimas de imprudências no trânsito diminuiu consideravelmente. Regiões como a Vila Princesa, por serem próximas a rodovias, são as mais afetadas pelas impunidades ocorridas no trânsito devido ao consumo de bebidas alcoólicas antes de dirigir.
A lei é válida para qualquer motorista e em qualquer lugar onde puder circular um veículo. Quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$955,00 perderá a carteira de motorista por um ano. A fiscalização poderá ser feita por policiais rodoviários federais, militares e por policiais civis e guardas municipais quando existir convênios na área de segurança. Em todo o Brasil, 700 policiais estão nas estradas federais reforçando a fiscalização.
A médica fisiatra Júlia Greve, do Departamento de Álcool e Drogas da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), afirma que o índice de álcool no organismo pode ser verificado de três maneiras. O bafômetro e o exame de sangue são mais sensíveis para detectar dosagens alcoólicas. O exame clínico é menos sensível para a dosagem, mas serve para indicar sinais de embriaguez como olho vermelho, alegria excessiva e falta de coordenação motora, por exemplo.
O motorista que se recusar a fazer exames de bafômetros e de coleta de sangue para verificar a quantidade de álcool consumido estará sujeito às penalidades do artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro. Na ausência do bafômetro, se o policial tiver evidências de que o motorista está embriagado, pode requerer uma amostra de sangue ou a chamada de um médico para diagnosticar a embriaguez do infrator.
Um copo de cerveja demora cerca de seis horas para ser eliminado do organismo. Uma dose de uísque demora mais tempo. O mais garantido é que o motorista só dirija depois de 24 horas da ingestão. Se estiver de ressaca e com sintomas provocados pela grande quantidade de álcool consumida, o melhor é ficar em casa, pois este é o momento em que o álcool começa a ser tóxico e permanece no corpo por mais tempo. Embora em quantidade menor a bebida alcoólica utilizada no preparo de uma sobremesa também pode ser detectada pelo exame de bafômetro e de sangue.


Feira do Livro de Pelotas
Festa da literatura é o endereço certo para quem quer unir cultura, gastronomia e lazer

A 36ª edição da Feira do Livro de Pelotas está chegando ao fim, mas ainda há tempo de aproveitar o último final de semana para comprar um livro, ou dois... Assistir a um bom show, ou ainda, provar aquele petisco típico de barzinho que este ano está fazendo parte do cardápio oferecido na feira, em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. A festa da literatura, que este ano tem como tema “Um tributo à Lobo da Costa”, em homenagem ao poeta pelotense, já vendeu mais de 36 mil livros e foi visitada por cerca de 80 mil pessoas.
Para quem não quer passar pela Praça Coronel Pedro Osório sem levar um bom livro para casa, uma ótima dica é o livro Satolep, do músico e escritor pelotense Vitor Ramil. A história de Satolep se confunde em alguns pontos com a própria história de seu autor. No começo da narrativa, Selbor, o fotógrafo narrador, encontra-se numa cidade do norte do país e retorna à sua terra natal no dia de seu aniversário de trinta anos. Ao chegar em Satolep (anagrama da palavra Pelotas), Selbor encontra-se com personagens reais da história pelotense.
A história cujo enfoque está no encontro do protagonista com seu passado, é para o personagem uma fase de auto-conhecimento. O período em que viveu fora do Rio Grande do Sul ficou marcado para Vitor como um período de reflexão sobre sua identidade. A Estética do Frio surgiu durante esta busca e fez com que o autor refletisse sobre o papel do Rio Grande do Sul e do gaúcho no cenário brasileiro. Após viver durante cinco anos no Rio de Janeiro, Vitor voltou ao sul na época em que comemorava seu aniversário de trinta anos. “Trinta anos é uma idade emblemática”, salienta o autor ao admitir que aprendeu muito sobre si voltando a Pelotas.
Mas quem gosta de aproveitar a festa literária para assistir a bons shows, pode conferir, entre outros embalos, o show da Nação Suburbana, no sábado, ou ainda o agito do Freak Brothers no finalzinho do domingo. As sessões de autógrafos rolam nos dois últimos dias da feira a partir das 18 horas. Confira a programação completa do último final de semana da 36ª edição da Feira do Livro de Pelotas:
15 DE NOVEMBRO – SÁBADO
15:00hs – CCN Páginas do Sul (Escola Fernando Treptow)
15:30hs – Grupo de Dança da Escola Fernando Treptow
16:00hs – Grupo de Dança da Escola União
17:00hs – DTG Pampa e Querência
18:00hs – Sessão de autógrafos
19:00hs – Nação Suburbana
20:00hs – Grupo Todos
21:00hs – João Montovani
16 DE NOVEMBRO – DOMINGO
15:00hs – Grupo de Dança Beatriz Santos
16:00hs – Bossa Nova pra ser feliz
17:00hs – Grupo Musical 5ª Estação
18:00hs – Solenidade de Encerramento
19:00hs – Banda Valentini
20:00hs – Freak Brothers
21:00hs – Reminiscências

TEXTO PRODUZIDO A PARTIR DE PROJETO EXPERIMENTAL SOBRE A REALIDADE DOS CATADORES DE LIXO DE PELOTAS

Bem vindo ao espetáculo
A tragédia não é grega, é bem brasileira. O cenário é a cidade de Pelotas, um município do estado do Rio Grande do Sul com aproximadamente 340 mil habitantes. Uma cidade conhecida como a capital do doce e reconhecida pelas belezas de seus pontos turísticos, mas que esconde uma triste realidade, a miséria das pessoas que buscam sustento através do que é desperdiçando por esta cultura de riquezas.
A cada esquina é possível reconhecer a beleza e a riqueza de Pelotas. A poucos passos de distância nos deparamos com faxadas luxuosos, prédios monumentais, mas é aí que se esconde ou se escancara a mais cruel e atual realidade. Em meio ao que sobrou de uma história rica, é revelada a pobreza de uma sociedade injusta e de uma economia que privilegia poucos.
Assim como se encontra um luxuoso prédio a cada esquina, ao transpô-las nos deparamos com a dura realidade de pessoas que buscam no lixo, uma forma de sobrevivência. O trabalho destas pessoas se resume em recolher materiais como papelão, plásticos e alumínio nas latas de lixo da cidade. Um trabalho longo e cansativo. O objetivo é vender este material para recicladoras que pagam alguns centavos por quilo de lixo dependendo do material. Uma quantia irrelevante, mas que dá sustento, na maioria dos casos, a famílias numerosas.
A dura realidade
Pelotas possui catadores de lixo de todas as idades, e não raramente encontramos um, ou vários deles nas ruas. Ao serem perguntados sobre o destino do lixo que catam diariamente, a resposta é o ferro velho. Apesar de contarem com cerca de oito cooperativas, a maioria dos catadores vende o produto de seu trabalho a ferros-velhos que pagam valores irrisórios pelo material.
Ao visitarmos um destes destinos, impedidos de entrar, encontramos dois catadores que chegavam para vender o fruto de um dia inteiro de trabalho. Seu Ademar mora com o irmão e conta que cata lixo a mais de dez anos. Ele e a esposa vivem do lixo. “Minha esposa vendeu uma carga de papelão e tirou só três reais”, conta o trabalhador indignado com a desvalorização do produto.
Felipe, de 26 anos, conta que para sustentar a mulher e dois filhos pequenos, um de seis e meses e outro de quatro anos, deixou de trabalhar só com a coleta de lixo e agora faz bicos pintando casas. O papelão que era vendido a quinze centavos o quilo, agora não vale mais do que sete centavos. O alumínio que era vendido a dois reais, agora vale apenas um real e cinqüenta centavos. “Não dá nem pro milho do cavalo”, enfatiza Felipe, que agora cata lixo só aos finais de semana.
Sem lenço, sem documento
Uma profissão sem regulamentação exercida até mesmo por idosos e crianças. No rosto um sorriso infantil e nas mãos sujas um saco com o que é considerado inútil pelas residências do centro pelotense. Este é apenas um recorte da realidade das pessoas que sobrevivem do lixo.
Ao dobrarmos mais uma esquina encontramos crianças exercendo esta atividade tão cruel. Enquanto brincam e catam, uma delas nos conta que a mãe ficou em casa cuidando do filho que está doente. A mãe espera que a filha chegue com a coleta do dia para comprar o remédio para a criança.